Com 2 de Gabriel Jesus, Brasil faz 3 a 0 e tira o Chile da Copa do Mundo

Os comandados de Tite terminaram isolados na liderança da competição, com 41 pontos

A seleção brasileira termina sua participação nas Eliminatórias Sul-Americanas como os brasileiros gostariam que terminasse a Copa do Mundo da Rússia, em primeiro lugar, sobrando em campo, com Neymar fazendo fila na marcação adversária e liderando uma equipe forte, talentosa e solidária. O Brasil parte para a Rússia cheio de gás e favorito, após a vitória sobre o Chile por 3 a 0, na noite desta terça-feira, no Allianz Parque, em São Paulo.

Se Tite conseguiu nessas 15 partidas à frente do time mudar tudo e fazer da terra arrasada um terreno fértil e favorável para mais uma conquista mundial, a sexta, diga-se, também teve de se render ao talento, ginga e modo de ser de pelo menos meia dúzia de garotos abusados e de muita personalidade.

Aprenderam juntos e juntos mudaram a seleção. É dessa forma que vão desembarcar na Rússia em junho do ano que vem. A vitória por 3 a 0 sobre o Chile, nesta noite, no Allianz Parque, com público recorde do estádio do Palmeiras, 41.008, e renda de R$ 15 milhões, recorde na história do futebol brasileiro. O resultado coroou campanha de tirar o chapéu.

A torcida fez festa, tirou fotos e aplaudiu. Também pegou no pé de alguns chilenos, como Valdivia. Mas não houve nenhuma manifestação homofóbica, como vinha acontecendo em jogos no Brasil. Uma das maiores manifestações ocorreu quando o locutor do estádio anunciou gol do Equador diante da Argentina. Ele não se deu conta de que Messi estava em campo lá em Quito.

Brasil e Chile fizeram um primeiro tempo correto, sem grandes jogadas, de marcação forte no meio-campo e com Neymar atuando mais fixo pela esquerda. Tudo mudou na etapa final, quando os gols brasileiros saíram. Neymar assumiu sua função de maestro pelo meio antes de voltar para a beirada do gramado. Foi suficiente para tirar o zero do placar e conduzir a seleção à sua 12ª vitória nas Eliminatórias Sul-Americanas.

Os gols foram marcados por Paulinho e Gabriel Jesus (dois), aos 9, 11 e 47 minutos respectivamente. O primeiro deles de rebote do goleiro Bravo. O segundo em combinação perfeita de Neymar e Jesus. E o terceiro sem goleiro, que estava na área do Brasil tentando o gol. Fora da Copa, o Chile desandou a dar pontapés e a provocar. Mas até isso Tite conseguiu mudar no elenco. Apesar de um empurrão de Gabriel Jesus, ninguém caiu na armadilha. E a seleção foi aplaudida em seu último jogo no País antes da Copa.

Paraguai perde em casa e está fora da Copa do Mundo

O Paraguai está novamente fora de uma Copa do Mundo. E a segunda eliminação consecutiva veio de maneira amarga, sacramentando a derrocada de uma seleção que ocupou o protagonismo do futebol sul-americano durante mais de uma década. Nesta terça-feira, jogando no Defensores del Chaco pela última rodada das Eliminatórias do Mundial da Rússia, em 2018, a equipe precisava de uma vitória contra a lanterna Venezuela para se garantir na repescagem. Não conseguiu. Diante de um time frágil, apelou para os cruzamentos, pouco criou e perdeu por um doloroso 1 a 0. O resultado desta terça-feira manteve o Paraguai na sétima colocação das Eliminatórias com 24 pontos. Assim, não conseguiu sequer a vaga na repescagem para enfrentar a Nova Zelândia. Já a Venezuela encerrou na lanterna com 12 pontos – e nenhuma derrota nas últimas quatro partidas.

Diante da histórica frustração em Assunção, a seleção paraguaia perdeu a oportunidade de disputar o seu nono Mundial – jogou antes em 1930, 1950, 1958, 1986, 1998, 2002, 2006 e 2010. Confirmou, ainda, que precisará de uma reformulação completa para retomar seu patamar de certa grandeza no futebol mundial. Depois de viver seu grande momento na Copa de 2010, quando foi derrotado nas quartas para a futura campeã Espanha, com um gol sofrido já no fim da partida, o Paraguai viu a renovação não render o resultado esperado. Seu desempenho, então, caiu drasticamente nos anos posteriores e a seleção não se classificou ao Mundial do Brasil, em 2014.

A campanha também não era das melhores à Copa da Rússia quando Francisco Arce, ex-jogador do Palmeiras e da seleção paraguaia, assumiu como técnico em agosto de 2016. O desempenho seguiu irregular e a classificação parecia distante após a goleada sofrida para o Peru, em casa, por 4 a 1, na 11ª rodada, e o empate com a Bolívia no jogo seguinte. Mas resultados inesperados como a vitória sobre o Chile por 3 a 0, em Santiago, e o triunfo sobre a Colômbia na última rodada por 2 a 1, quando perdia por 1 a 0 até os 43 minutos do segundo tempo, colocaram novamente o Paraguai na briga. Faltava o último obstáculo: não ser surpreendido, agora contra a Venezuela, e torcer por uma combinação de resultados. Ela até veio e o colocaria na repescagem se ganhasse. Mas o time errou muito e foi eliminado.

Messi marca três, Argentina impede vexame e se garante na Copa

Messi pode não ser na Argentina o mesmo do Barcelona, mas, ao menos nesta terça-feira, mostrou com a camisa azul e branca por que é considerado um dos melhores da história. Sob a pressão de poder protagonizar um dos maiores vexames do futebol do país, chamou a responsabilidade mesmo depois do surpreendente gol relâmpago do Equador e comandou a vitória por 3 a 1, em Quito, ao marcar os três gols salvadores que garantiram o passaporte argentino para a Copa do Mundo. O craque evitou que o drama com o gol de Romario Ibarra logo no início da partida se transformasse em tragédia. Mesmo com uma Argentina novamente apática e sofrendo com as escolhas erradas do técnico Jorge Sampaoli, assumiu o papel de líder. Jogou praticamente sozinho, mas com tanta qualidade técnica, era o suficiente para superar um Equador em frangalhos.

Os três gols de Messi e a vitória na altitude de Quito levaram a Argentina a 28 pontos, ficando com a terceira vaga direta da América do Sul para a Copa da Rússia. Para o craque, o desempenho pode ter significado ainda a afirmação total com a camisa argentina, após tantas críticas e questionamentos de seus compatriotas. Além da Argentina, já estão garantidos na Copa: o Brasil, o Uruguai e a Colômbia na América do Sul; a Nigéria e o Egito, na África; Irã, Japão, Coreia do Sul e Arábia Saudita, na Ásia; Bélgica, Espanha, Alemanha, Inglaterra, França, Islândia, Portugal, Sérvia e Polônia, na Europa; e México e Costa Rica, na Concacaf. País-sede, a Rússia também está garantida.

Só que bem ao estilo argentino, a vaga não veio sem drama. Não bastasse a péssima campanha nas Eliminatórias, no último episódio desta trajetória, precisando do triunfo para não cair precocemente, a seleção foi surpreendida segundos após a bola rolar. Mascherano não conseguiu afastar o perigo, Mercado cochilou e o ataque equatoriano aproveitou. Romario Ibarra tabelou de cabeça com Ordoñez e tocou na saída de Romero para abrir o placar. O golpe deixou a Argentina atônita, quase entregue. Se tivesse forçado, o Equador poderia ter até feito o segundo, tamanha a confusão no sistema defensivo adversário, que proporcionou outra ótima chance perdida por Ordoñez logo aos cinco minutos. Desta vez, o ataque equatoriano desperdiçou.

Só que antes que a tragédia fosse estabelecida, Messi tratou de resolver. Aos 11 minutos, ele arrancou pela esquerda, tabelou com Di María e apareceu sozinho dentro da área. Com a calma que lhe é peculiar, finalizou por baixo do goleiro para empatar. O ataque da Argentina começava a encontrar muito espaço pela esquerda, e nos pés de Messi, isso seria fatal. Aos 15, ele recebeu com liberdade e bateu em cima de Banguera. Mas aos 19, aproveitou cochilo de Aimar na saída, roubou a bola e encheu o pé da entrada da área, no ângulo do goleiro, que nada pôde fazer.

Os gols de Messi davam à Argentina o resultado necessário, mas não cessaram os erros defensivos. Mascherano, em dia irreconhecível, Otamendi e Mercado acumulavam trapalhadas no setor e assustavam o já desesperado torcedor visitante. No início da segunda etapa, Mercado chegou a escorregar a metros do gol de Romero, mas Romario Ibara foi travado na hora de bater. Foi então que a genialidade de Messi voltou a resolver. Aos 17 minutos, o craque recebeu com liberdade na intermediária, arriscou bem a seu estilo, cortou o zagueiro e chutou colocado da entrada da área, por cobertura. Um golaço para tranquilizar todo o país e dar ao craque do Barcelona a chance de brigar pelo inédito título da Copa.

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