Moeda virtual bitcoin bate recorde e já vale mais de R$ 16 mil

De 1º de janeiro a 31 de agosto, a valorização do Bitcoin foi de 342%

O ano de 2017 tem sido um divisor de águas na história do bitcoin (BTC). Criada em 2008, a moeda digital, que começou janeiro valendo R$ 3.469, fechou em R$ 16.868 no último dia 6, valorização de 386%. Só no mês passado, o valor do bitcoin subiu 206,87%, impulsionado principalmente pela decisão dos desenvolvedores da moeda de dividí-la em duas a partir de 1º de agosto.

Com isso, o investimento, que utiliza um sistema descentralizado chamado de blockchain, que compartilha a validação de transações de vários usuários simultaneamente e, assim, gera credibilidade ao BTC, foi impulsionado. “O bitcoin vinha passando por uma polêmica nos últimos dois anos, pois tinha uma limitação de cerca de quatro pagamentos por segundo, o que gerava a divisão entre dois grupos de desenvolvedores”, diz Rodrigo Batista, sócio do site Mercado Bitcoin, que negocia a moeda virtual.

O fim do embate criou a variação chamada Bitcoin Cash, que vale hoje cerca de R$ 2.300, e aumentou expressivamente o rendimento da moeda original. Quem possuía o dinheiro digital até então passou a ter a mesma quantidade nas duas vertentes. Antes disso, em abril, uma regulamentação no mercado financeiro do Japão, que equiparou o bitcoin às moedas estrangeiras, foi outro motivo que ajudou o BTC em 2017. “Na prática, investidores profissionais passaram a poder investir na moeda digital. Fundos também podem utilizá-la”, afirma Batista. A novidade também tem atraído adeptos em outros países, como Austrália e Rússia, que analisam empregar leis parecidas. No Brasil, a Câmara dos Deputados criou, em maio, uma comissão especial para analisar uma regulamentação de moedas digitais.

Funcionamento

Sem lastro específico, o bitcoin segue à risca as leis de oferta e demanda no mercado. Para impedir a inflação, o sistema possui um limite de 21 milhões de unidades de BTC, que são geradas a partir de um processo conhecido como mineração, em que computadores de alta tecnologia são utilizados para gerar a moeda. O gasto em energia e processamento é alto, o que agrega valor ao processo.

Assim, o bitcoin pode ser usado tanto como investimento, através de carteiras on-line que o comercializam como ativo, quanto para pagamentos via sistemas como o PayPal ou ainda por meio de sites de comércio eletrônico como a Amazon. Atualmente, é possível usar bitcoins para fazer doações a instituições globais como Greenpeace ou Wikipedia, comprar passagens aéreas na Expedia, ou dar entrada em um apartamento na Técnica, por exemplo.

Para o gerente de unidade de Inovação e Sustentabilidade do Sebrae-MG, Anízio Dutra Vianna, a atratividade como meio de pagamento internacional é uma das maiores virtudes da moeda digital, que também pode gerar valor às próprias empresas de e-commerce que a utilizarem em transações.

“Quanto mais global for a empresa, maior a possibilidade de sucesso. Essa capacidade de globalização voltada para o atendimento universal pode fazer muita diferença”, diz Vianna, para quem a aceitação do bitcoin como moeda de troca pode atrair clientes de todas as partes do planeta.

Futuro

A alta valorização do bitcoin também tem gerado desconfiança com a moeda, com afirmações de que há uma bolha especulativa semelhante à que atingiu as empresas da internet em meados dos anos 90. Rodrigo Batista, porém, não acredita nessa visão. “Não acho que tenha bolha. Pode ser que o preço caia no curto prazo, ou pode ser que suba. Mas é certo que esse mercado de moedas digitais chegou pra valer. A questão é se o bitcoin vai ser a moeda mais utilizada”, opina o investidor. Segundo ele, o surgimento de outras alternativas como o Litecoin, que vale hoje cerca de R$ 300, mas possui técnicas de desenvolvimento distintas, pode surpreender.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

154 views