“Os deputados do presidente!”

* Antônio Carlos Siufi Hindo

 A crise política e institucional do Brasil chegou ao seu ápice. Nunca na história republicana um presidente da República no exercício do cargo foi processado pela prática de crime comum, e um ex-presidente da República condenado pela Justiça Federal. Lula e Temer já passaram para os anais da história com as suas biografias tisnadas. Todos os dois cumprirão o seu calvário até a sentença final.  A sorte de Temer está nas mãos dos deputados federais. Depende deles, como manda a Constituição Federal, conceder ou não a autorização para o Supremo Tribunal Federal processá-lo pela prática de corrupção passiva. 

Essa luta política é titânica. As armas que serão utilizadas são as mais mortíferas que se pode imaginar. Nesse campo inóspito onde a batalha será travada, cada momento será estudado meticulosamente pelos generais indicados pelo presidente. Nesse vale tudo para a conquista dos votos necessários para se livrar o presidente do processo a que deverá responder junto ao STF todos os princípios da democracia são ignorados.  

As traições, sobretudo. A dinheirama que será derramada para arrefecer a gulodice do deputado é algo assombroso. Afinal, é o poder que está em jogo. Ninguém quer largar esse osso. Ele tem um poder mágico. A caneta monta e desmonta o caráter do ser humano. Nesse contexto, tudo resulta imprevisível.  

Os interesses bons e os nefastos estarão sempre no centro das negociações. São essas as regras desse jogo medonho.  Não adianta nada as provocações feitas pela oposição. Esse negócio de afiançar que os deputados, que votarem pelo arquivamento da denúncia não voltam mais para a Câmara Federal nas eleições gerais do ano que vem resulta em conversa fiada para boi dormir. 

Esse tipo de conversa não tem praticidade. Ela não está consagrada nas regras do jogo. Nenhum deles tem o condão de adivinhar o futuro. Nesse campo inóspito da disputa política, quem vota e escolhe os seus representantes políticos é o eleitor.  Só ele tem esse direito. Tem esse poder. 

A esmagadora maioria da população não está interessada em saber quem está à frente do poder.  Essa é a grande verdade, que precisa ser desnudada. A massa da nossa população está interessada no trabalho abundante que precisa existir e no salário digno que precisa receber para criar com honradez a sua prole. Aqui residem os pilares da paz social.  São esses os tópicos que mais interessam a nossa população.

A corrupção, a roubalheira desenfreada, a insensatez dos estúpidos, a organização criminosa que produziram, a desgraça que legaram para a nação, devem ser tratadas no âmbito da Polícia e da Justiça. São essas duas instituições democráticas, que vão assegurar o cumprimento da lei e a condenação daqueles que conspiraram em desfavor dos nossos interesses maiores. Está certo o povo brasileiro. 

Não adianta nada ficar lamuriando, resmungando ou chorando, diante de uma situação que não pode ser modificado no presente momento. Deputado tem que ter lado. É uma exigência do jogo político. Cada um, deve ser responsável pelos seus atos. A consciência de cada qual é que ditará as regras do seu comportamento.

Discursos vazios não servem para nada. Deputado de verdade é aquele que vem para a sua base eleitoral conversar com o seu eleitor, trazendo consigo, os recursos necessários para a satisfação de suas necessidades básicas.  Como nesse jogo todos os jogadores conhecem sobejamente as suas regra a tomada de posição resulta importantíssima. Quem não fizer a sua opção dentro do tempo regulamentar será jogado no seu limbo. O jogo ainda não terminou. Ainda existe tempo para a definitiva cartada. A omissão será punida duramente com a chancela da covardia. Isso o povo não gosta. O eleitor, sobretudo.      

* Promotor de Justiça aposentado

 

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