Três irmãs que subiram ao altar no mesmo dia e agora comemoram 60 anos de casadas

Alzira, Amália e Alice já eram apaixonadas por Benedito, Agnelo e Antônio quando, de repente, o destino as uniu na mesma igreja.

Thailla Torres (Lado B)

 

A cumplicidade de três irmãs foi parar no altar. Alzira, Amália e Alice já eram apaixonadas por Benedito, Agnelo e Antônio quando, de repente, o destino as uniu na mesma igreja para o casamento. As histórias que começaram juntas, hoje comemoram 60 anos de união. E o amor que dura até hoje é a maior inspiração da família. As meninas hoje têm 86, 82 e 81 anos, e lembram com dificuldade dos detalhes da vida. Por isso, às vésperas de uma grande celebração pelas Bodas de Diamante, o carinho e o cuidado ficam por conta dos filhos que se dedicam à festa e a contar o que sabem da história dos pais. Se existe um segredo para um amor de 60 anos em dose tripla? A resposta dos filhos é mesma: respeito.

 

Antônio e Alice

Alzira, Amália e Alice Rezende, nasceram na Fazenda Monte Alegre, as margens da rodovia MS-040, que leva o nome de Manoel Lino de Rezende, conhecido como Neco, o pai das meninas. Quem descreve a história da mãe Alice é o empresário Adão Rezende Nogueira, de 55 anos. Ao seu lado estão os primos Aleixo Alves Rezende, de 56, filho de Amália e Ailton Rosa Rezende, 59, filho de Alzira.

A cerimônia aconteceu  20 de novembro de 1957. A ideia partiu da avó que havia ficado viúva há pouco tempo. “Elas já preparavam a cerimônia quando o avô faleceu. Mas naquela época tudo era distante e não tinha outro meio de transporte que ajudasse na ida até a cidade, então isso contribuiu para que as meninas dividissem o altar”, conta Adão. Foram seis anos de namoro até o casamento para Alice Rezende Batista e Antônio Batista Nogueira, ambos com 81 anos hoje, pais de cinco filhos. Os dois tiveram uma vida muito simples e até hoje moram no campo, em uma fazenda no município de Sidrolândia, na região do Boqueirão.

Já Alzira Lino Rosa, de 86 anos e Benedito Rosa Lemes, também com 86 anos, se conheceram na fazenda. Ele é de Sidrolândia e foi passear em Anhanduí, onde se conheceram e se apaixonaram. Do namoro tradicional ao casamento, foram dois anos. O casal morou em uma fazenda na saída para Aquidauana por 39 anos, e então mudou para uma casa no centro de Campo Grande, com os dois filhos.

Agnelo e Amália

As recordações mais antigas são de Amália Lino de Rezende, de 82 anos e Agnelo Pereira de Rezende (88), amigos de infância. De família e fazendas vizinhas, foram anos até que toda história se transformasse em amor. Após três anos de noivado disseram sim e foram viver em Anhanduí, depois passaram por Corguinho e hoje moram em uma propriedade na região do Taboco. Juntos tiveram três filhos. Por conta da distância, os casais pouco se encontraram ao longo da vida. Mas a perseverança e os desafios vencidos nas fazendas fazem parte da história de toda a família. “Eles nunca tiveram a cultura de estarem um casa do outro. Mas também não era fácil. Naquele tempo meio de transporte era carro de boi e a família levava até um dia para chegar em outro lugar. Mas nunca houve divergência, sempre fomos uma família unida e muito trabalhadora”, recorda Ailton.

Um dos momentos mais marcantes no coração dos filhos foi a chegada dos 40 anos de casamento em 1997. Um deles, Aleixo, se preocupou com a idade, que talvez pudesse impedir uma comemoração a altura entre os três casais. Por isso, naquele ano, todos decidiram fazer uma festa como nunca havia tido na família. “Nossos pais foram pessoas que passaram uma vida inteira trabalhando e aos poucos o cansaço vai avançando. Realmente eu tinha medo que dali pra frente em algum momento eles faltassem, por isso resolvemos comemorar”, descreve Aleixo.

Benedito e Alzira.

E não foi uma festa para poucos. Com Adão, Aleixo e Ailton na organização, os 40 anos de casamento viraram uma celebração programada para 1,3 mil pessoas. “A gente brinca que naquele ano gastamos todo o dinheiro, mas por uma história que sempre vai valer a pena”, conta Adão. Dez anos depois, a comemoração de Bodas de Ouro marcou mais uma década de amor, mas dessa vez, com um evento “intimista”. “Apenas para 350 pessoas”, lembra.

Agora, a festa dos 60 anos promete ser ainda mais especial. “A gente fica na organização para que tudo saia como previsto. Mas é sempre uma ansiedade muito grande e uma alegria, porque não é todo dia que um casal chega a esse tempo”, completa Adão. Para a família a maior dádiva é ainda ter os três casais ao lado. “É claro que como todo casal, houve briga, discussões e desafios. Mas para eles o mais importante era a família, o respeito e a união. Não nos recordamos de nenhuma divergência ou qualquer situação que levassem ao fim do casamento. Tanto que, pra gente, cada ano que passa é uma surpresa e uma felicidade em saber que os nossos pais ainda estão aqui, juntos, para comemorar o aniversário de casamento”, diz Adão.

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