Valor de ações da Embraer dispara após oferta bilionária da Boeing

Negociação prevê que setor de defesa, responsável pelo cargueiro KC130, continuaria sob controle do governo

Depois que a Boeing ofereceu US$ 6 bilhões na aquisição da Embraer, garantindo o controle da União apenas na área de Defesa, a empresa aérea brasileira precisou correr para emitir vários comunicados ao mercado. Somente ontem (02), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fez duas solicitações de esclarecimentos à companhia. Isso porque, desde que a possibilidade de associação das duas aéreas foi ventilada, no início de dezembro, o valor de mercado da Embraer subiu quase 32%.

Segundo a consultoria Economática, a empresa brasileira valia R$ 11,35 bilhões em 1º de dezembro. Ontem, antes do fechamento do mercado, a avaliação era de R$ 14,95 bilhões. Apenas da quinta para a sexta-feira, a empresa se valorizou quase R$ 280 milhões. No mesmo período, o valor de mercado da Boeing passou de US$ 161,6 bilhões para US$ 212,5 bilhões. O preço das ações da norte-americana, em dois meses, saltou de US$ 271,38 para US$ 356,94.

Conforme Einar Rivero, da Economática, as ações ordinárias da Embraer estavam precificadas em R$ 15,42 no primeiro dia de dezembro. Ontem, elas tiveram nova alta, de 4,41%, cotadas a R$ 21,30, o que representou uma valorização de 38% em dois meses. O comportamento dos papéis obrigou a empresa a prestar esclarecimentos à CVM. Na primeira nota, a Embraer afirmou que, “na dinâmica das conversas com o grupo de trabalho, do qual o governo participa, vêm sendo ventiladas formas para eventual combinação de negócios sem que nenhuma delas constitua efetivamente oferta ou proposta para concretização do negócio, mas tão somente um arcabouço de discussão com vistas a orientar os entendimentos”. 

Apesar da negativa, nem um pouco contundente, pois confirma o estudo de um modelo para viabilizar a operação, as duas companhias continuaram as tratativas. Um novo formato chegou a ser aventado, com a criação de uma terceira empresa, segregando a parte comercial, que seria gerida conjuntamente por Embraer e Boeing. Desta forma, o governo, que detém a golden share, uma ação especial com poder de veto, manteria o controle somente da parte de defesa, conforme adiantou.

Mais uma vez, após essa nova sinalização, a CVM pediu esclarecimentos à Embraer, que emitiu um segundo comunicado ao mercado, reiterando o que já havia dito. Diz a nota, assinada por José Antonio de Almeida Filippo, vice-presidente executivo Financeiro e de Relações com Investidores: “A Embraer e a Boeing têm mantido entendimentos, inclusive por meio do grupo de trabalho do qual o governo brasileiro participa, com vistas a avaliar possibilidades para combinação de negócios”.

A Embraer destacou, no comunicado, que não aceitou a proposta da Boeing, mas admite que as empresas “ainda estão analisando possibilidades de viabilização de uma combinação de seus negócios, que poderão incluir a criação de outras sociedades”. “Uma eventual implementação (da operação) estará sujeita à aprovação não somente do governo brasileiro, mas também dos órgãos reguladores nacionais e internacionais e dos órgãos societários das duas companhias”, afirmou.

Bolsa cai e dólar sobe

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), teve ontem perda de 1,7%. Diante de um quadro global negativo, investidores aproveitaram para vender ações e embolsar lucros depois da forte valorização dos papéis em janeiro. A principal influência ontem foi do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que veio com alta mais forte do que a esperada, indicando elevação dos juros nos Estados Unidos além da expectativa do mercado. Por conta disso, o dólar também se valorizou em relação ao real ontem, em 1,36%.

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